segunda-feira, 5 de março de 2018

"Um dia histórico" para a ferrovia

05/03/2018 - TSF Rádio Notícias

Arranca esta segunda-feira a maior obra ferroviária em Portugal do último século.

Foto: António Pedro Santos/Lusa

José Milheiro


O lançamento do concurso para construção de 94 Km de nova linha ferroviária entre Évora e Elvas avança esta segunda-feira.

As empresas ou os consórcios interessados já podem levantar o caderno de encargos de uma obra que vai custar 509 milhões de euros.

Além deste concurso, o primeiro-ministro, António Costa juntamente com o chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, e a Comissária Europeia dos Transportes, Violeta Bulc presidem à cerimónia de consignação da obra de modernização da linha entre Elvas e o Caia (11Km), que entra em funcionamento nos primeiros meses de 2019.

Em declarações à TSF, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirma que "temos hoje um dia histórico para a nossa ferrovia".

Pedro Marques defende que "hoje começa e já não vai parar uma obra absolutamente essencial, e que há décadas estava por realizar, que é a ligação do porto de Sines a Espanha".

José Milheiro registou as declarações de Pedro Marques
O concurso hoje lançado já tem data para ficar concluído. "Em 2022. É uma obra tecnicamente muito complexa porque é preciso fazer de raiz linha nova por um troço de quase 100 km", sublinha o ministro.

A linha em causa é a principal ligação em falta do corredor ferroviário Atlântico da Europa e por isso o Governo de Lisboa garante que "Espanha está connosco, a Europa está connosco no financiamento e no caso de Espanha na coordenação das obras porque as obras estão a avançar no lado de lá da fronteira".

Do lado de lá da fronteira avançam nos próximos 24 anos 2.000 km de nova linha de alta velocidade, mas em Portugal, como disse António Costa ao jornal espanhol ABC, "a alta velocidade é um tema tabu na política portuguesa e vai sê-lo por muito tempo".

Também para Pedro Marques colocar nesta altura o TGV na agenda política "não é uma discussão que neste momento faça sentido. A discussão que faz agora sentido é a execução do Ferrovia 2020 e a preparação de uma rede ferroviária competitiva para o futuro com uma prioridade e uma aposta muito clara nas mercadorias".

Mas o Plano Ferrovia 2020 só tem 15% das obras no terreno, Atrasos que o ministro justifica com o anterior Governo.

"Nós quando começámos a trabalhar no Ferrovia 2020 não tínhamos projetos nenhum para a execução deste programa. Nós tínhamos um compromisso para a utilização de fundos comunitários nesta área, o que era importante, mas depois desses acordos feitos com a União Europeia (de forma surpreendente) os projetos de execução, os estudos preparatórios, as declarações de impacto ambiental não tinham sido obtidas ou até estavam a caducar", justifica.

Depois da manhã passada no Alentejo, a tarde é na Beira Ata para dar arranque à modernização e eletrificação dos 46 km de linha ferroviária entre a Covilhã e a Guarda.

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